*..Página Principal..*..Quem Somos..*..Localização..*..Cooperação..*

António Sérgio

António Sérgio de Sousa, mais conhecido por António Sérgio, nasceu em Damão (antiga colónia portuguesa na Índia), tendo vindo para Portugal aos 9 anos.

Este notável escritor (membro do grupo da Seara Nova), filósofo, sociólogo, reformador social e pedagogo português do século XX, que até aos 10 anos não foi à escola, teve uma formação académica e uma trajectória profissional muito diversificadas. Permaneceu sempre fiel a uma via que rotulou de idealismo racionalista e crítico. Por mais de uma vez escreveu que tinha nascido com uma conformação intelectual contrária à que fizera moda no seu tempo, «e daí proveio que antsergio.JPGa polémica se tornou a própria maneira de ser da minha vida espiritual. A minha fidelidade à própria inteligência havia de levar-me a este antipático papel de sempre resistir, contrariar, combater, que tem sido o meu destino». A acção de António Sérgio manifesta-se sobretudo numa intervenção cívica cujo tema dominante é o renascimento de Portugal através da educação para a autonomia e de uma revolução construtiva.
Contra as várias experiências totalizadoras do seu tempo, proclamou que não existe qualquer legitimidade em diluir o indivíduo no Estado. Para António Sérgio, é no indivíduo, em cada indivíduo, que a unidade da consciência se manifesta. Daí a apreciação que, nas Cartas de Problemática fez de Marx e Engels: aceitou de braços abertos o que neles viu de verdadeiro humanismo, de revolta contra a alienação do homem, transformado-o em mercadoria, ao serviço do dinheiro, mas não lhes aceitava o materialismo, tido como resultado de uma perspectiva filosófica que ofuscava a espontaneidade do pensamento, impedindo a sua livre afirmação.
A procura dos meios para a realização da sociedade ideal deveria assim ter em conta dois princípios inalienáveis, sendo o primeiro a necessidade de considerar a natureza humana como fim em si própria e como valor absoluto, e o segundo a necessidade de conciliar os actos que se praticam para a libertação dos homens com a liberdade de cada ser humano: «caminhe-se para a liberdade através da liberdade»!
Neste contexto formulou a sua doutrina sobre o socialismo cooperativista, que marcou também o pensamento cooperativista e foi fundamental para a consolidação das bases do movimento cooperativo português. Sérgio, considerava secundário o valor atribuído pelos republicanos à reforma das instituições políticas, desde que tais reformas parassem na esfera política, sem abarcarem a esfera económica e social, surgindo-lhe o cooperativismo como a forma de organização social mais consentânea com a sua concepção do homem como ser activo e criador. À socialização sob a omnipotência do estado, preferiu a socialização pelas cooperativas, pondo a faina sob a acção do povo e não de políticos ou de partidos. Em reconhecimento pelos seus contributos no âmbito do cooperativismo, o instituto público regulador do sector cooperativo português, o INSCOOP, adoptou o seu nome: Instituto António Sérgio para o Sector Cooperativo.

Principais obras de António Sérgio
1914 - O problema da cultura e o isolamento dos povos peninsulares. Porto.
1920 - Ensaios I - Rio de Janeiro.
1925 - Tréplica a Carlos Malheiro Dias sobre a questão do "Desejado". Lisboa.
1929 - Ensaios II. Lisboa.
1932 - Ensaios III. Porto.
1934 - Ensaios IV. Lisboa.
1934 – Democracia. Lisboa.
1936 - Ensaios V. Lisboa.
1937 - Cartesianismo real, cartesianismo ideal. Lisboa.
1941 - História de Portugal, tomo I - Introdução geográfica. Lisboa.
1946 - Ensaios VI – Lisboa.
1953/55 - Cartas de problemática. Lisboa.
1954 - Ensaios VII. Lisboa.
1968 - Ensaios VIII. Lisboa.
1962 - Tentativa de interpretação da história de Portugal. Lisboa.

Para referências mais amplas veja-se A. Campos Matos «Bibliografia de António Sérgio», em Vértice vol. 30, nº 319-320, Agosto-Setembro, 1970, pp. 568 a 597; id., «Bibliografia de António Sérgio», em Revista de História das Ideias, nº 5, Coimbra, 1983.

Algumas obras consagradas a António Sérgio:
AA VV - Homenagem a António Sérgio, Lisboa, 1976. AA VV - Revista de História das Ideias, nº5, Coimbra, dois volumes, 1983 (integralmente dedicados a António Sérgio e com ampla bibliografia). Branco, J. Oliveira - O humanismo crítico de António Sérgio. Análise dos seus vectores filosóficos. Coimbra, 1986. Cardia, Mário S. - «O pensamento filosófico do jovem Sérgio», em Cultura, História e Filosofia, nº 1, 1982. Grácio, R. – Educação e educadores. Lisboa, Livros Horizonte, 1968. Magalhães-Vilhena, V. - António Sérgio. O idealismo crítico e a crise da ideologia burguesa. Lisboa, Cosmos, 1975. Serrão, J. – Portugueses somos. Lisboa, Livros Horizonte, 1975. Silveira, A et al – Homenagem a António Sérgio. Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa, 1976. O Tempo e o Modo (Lisboa), No. 69-70, 1969. (Número especial sobre António Sérgio).

(Fontes: Pedro Calafate, in http://www.instituto-camoes.pt/cvc/filosofia/1910c.html, 12 de Maio de 2005. e António Nóvoa, in Perspectivas: revista trimestral de educación comparada, Paris, UNESCO, nº ¾, 1994, pp. 511-528)



[Voltar]

Contacte-nos por e-mail


outubro 2009
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
        1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28 29 30 31
Entradas recentes Secções Arquivos mensais Últimos comentários Pesquisa