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28 de junho de 2005

Para uma sociedade saudável

A saúde pública está estreitamente relacionada com a qualidade da alimentação suficiente das mulheres, dos homens e, sobretudo das crianças que a integram: cada vez mais tomamos consciência de que comer de uma forma adequada é vital para a prevenção e recuperação de muitas das doenças modernas, a aumentarem assustadoramente nestas últimas décadas. Por isso, a redução da capacidade nutritiva dos alimentos, a par da acumulação no organismo humano de resíduos de adubos, pesticidas, antibióticos, hormonas e outros produtos químicos de síntese tem uma grande influência nos gastos dos cidadãos e do estado com a saúde.

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Esta situação é tanto mais grave quanto os alimentos que pomos diariamente no nosso prato, além de nos fornecerem nutrientes, podem se curativos e terapêuticos. Jean-Claude Rodet, agrobiólogo francês dá dois exemplos: as análises bioquímicas feitas em laboratório mostram que o feijão contém substâncias que ajudam à função renal; e o sumo de beterraba ajuda a regenerar o sangue e combater anemias.

Socialmente responsável

A Agricultura Biológica (AB) une os agricultores e os consumidores na responsabilidade de:
* Produzir alimentos e fibras de forma ambiental, social e economicamente sã e sustentável;
* Preservar a biodiversidade e os ecossistemas naturais;
* Permitir aos agricultores uma melhor valorização das suas produções e uma dignificação da sua profissão, bem como a possibilidade de permanecerem nas suas comunidades;
* Garantir aos consumidores a possibilidade de escolherem consumir alimentos de produção biológica, sem resíduos de pesticidas de síntese e, consequentemente, melhores para a saúde humana e para o ambiente.

A AB permite igualmente a revitalização das comunidades rurais e restitui aos agricultores a dignidade e o respeito que lhe são merecidos pelo seu papel de guardiães da paisagem e dos ecossistemas agrícolas.

Além de que os produtores agro biológicos seguem normas rigorosas, controladas por organismos de certificação independentes segundo regras internacionais reconhecidas, hoje em dia, pelos governos de inúmeros países.

Contributo para uma sociedade mais justa

Pelas características do seu modo de produção, a agricultura biológica faz apelo à fixação dos agricultores e requer a criação de postos de trabalho rurais. Graças à dimensão humana que as explorações agro biológicos assumem, às suas práticas ecológicas e à gestão adequada dos recursos locais, os produtores geram oportunidades de criação de empregos permanentes e dignos.

A par de outras actividades (preservação do património, turismo, energias alternativas, etc.), a AB contribui, pois, para a autonomia socio-económica do povoamento nas zonas rurais, criando condições para o desenvolvimento económico e cultural dos seus habitantes.

Ao favorecer a produção, o comércio e o consumo locais, a AB contribui para a autonomia e soberania alimentares das regiões em que se inscreve. Ao mesmo tempo que favorece a autonomia dos produtores, libertando-os da dependência das grandes empresas e das multinacionais de sementes e de produtos fitossanitários.

Publicado por Vitorino às junho 28, 2005 05:38 PM