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15 de junho de 2005

Racionalidade e ética ecológicas

A agricultura biológica permite produzir alimentos de alta qualidade em suficiente quantidade.

A acreditar nos dados que apontam para que uma percentagem elevada das doenças degenerativas têm origem nas deficiências alimentares, o consumo sistemático e generalizado de alimentos biológicos representará uma poupança nas despesas com a saúde, tanto para as famílias como para as sociedades. Poupança essa que poderá satisfazer com vantagem as acrescidas despesas com uma maior utilização de mão-de-obra.

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Por outro lado, a agricultura biológica não é nociva para os seres humanos e o ambiente, contribuindo até para a regeneração e o enriquecimento do património natural. Contrariamente ao que acontece com a agricultura industrial ou agro química e com as culturas geneticamente modificadas, que praticam preços que não têm em conta os gastos sociais (de saúde e de despesa pública, nomeadamente) com as contaminações que provocam.

A agricultura biológica protege o património genético, não só porque não usa organismos geneticamente modificados (OGMs), mas também porque requer a utilização de plantas rústicas, adaptadas à região, ou seja, autóctones. A biodiversidade agrícola tem uma importância enorme para a saúde humana, para a sustentabilidade das comunidades agrícolas e para o desenvolvimento sustentado da agricultura.

A utilização de composto (estrume fresco e resíduos vegetais) como base da fertilização torna o solo adequado à vida dos microorganismos produtores dos elementos necessários ao desenvolvimento saudável das plantas, microorganismos que são destruídos com a fertilização química.

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Ao seleccionar plantas adaptadas ao meio, fertilizadas naturalmente, e ao manter os habitats dos animais silvestres, tornando viável a vida de numerosas espécies, a agricultura biológica mantém e fomenta a biodiversidade e contribui para combater a desertificação. Também protege os aquíferos, não só por haver menor risco de contaminação, como por favorecer a retenção da água no solo.
Ao aliar novas tecnologias com a valorização das metodologias produtivas tradicionais e as trocas locais e regionais, a agricultura biológica contribui para reduzir a poluição e para evitar os desperdícios energéticos.

O modo de produção biológico constitui, pois, uma opção pelo uso racional de recursos agrícolas e ambientais, com elevados benefícios para a alimentação e a saúde humanas.

Publicado por Vitorino às junho 15, 2005 12:05 PM