*..Página Principal..*..Quem Somos..*..Localização..*..Cooperação..*

« Kimpira de Cenouras | Entrada | Mercado de Natal Amigo da Terra, em Almada »

12 de dezembro de 2006

Os guardadores de sementes - Agricultura e globalização

Pelo seu interesse, reproduzimos abaixo um texto recente de José Raimundo Correia de Almeida, para a reflexão séria sobre a importância das sementes tradicionais para a agricultura (sobretudo a biológica), para a biodiversidade e não só...

sementesmaos2.jpg

Quinta das Flores, 23NOV06

Os guardadores de sementes

Agricultura e globalização

Guardei bem guardada esta reportagem publicada na PUBLICA da autoria de João Pacheco com fotografia de Rui Gaudêncio porque adivinhava a sua importância e na altura não a podia comentar (15OUT06).
Os meios de comunicação social muito pouco falam da transnacionalização da agricultura. As maiorias das sementes são híbridas ou são geneticamente modificadas (GM) e hoje os agricultores não podem renovar as suas sementeiras com as sementes de plantas anteriormente plantadas. Com as transgénicas criadas pelas transnacionais para a agricultura extensiva/intensiva a dependência será ainda maior.

È preciso ir destruindo as espécies autóctones e em nome disto ou daquilo ir implantando o que é produzido pelas multinacionais transgénicas e destruindo o que é produzido pela pequena agricultura ou pecuária... No Brasil, o movimento dos «sem terra» tem uma grande consciência desta situação.
A este propósito disse António Campos a João Pacheco: « Amanhã todo o mundo rural, hoje dependente de subsídios, ficará dependente das patentes das multinacionais».

Mas Portugal já não é hoje um país de grandes superfícies trigueiras de sequeiro. Os nossos grandes agrários, bem souberam o que tiveram de fazer...
Vamos então ao que ainda resta dos pequenos produtores agrícolas...

Em termos de maçã o que se vende nos hiper e supermercados? As padronizadas «golden» e « starking» muito brilhantes, que sabem a quê? A qualquer coisa que é para trincar e comer. É «fastfood» de fruta.
Felizmente, «a nossa rainha das maçãs», o bravo de Esmolfe, já vai aparecendo no mercado. Quanto às outras maçãs das Beiras, parece que anda por aí um engenheiro agrónomo «carola», chamado António Campos, que já foi responsável governamental pela agricultura de Portugal, a tentar recuperar nas suas propriedades de Oliveira do Hospital as velhas macieiras da Beira, tais como a malápio-de-Gouveia, a camoesa e a pardo-lindo referida insistentemente por Torga a Campos a propósito de Eça.

Senhor ministro da Agricultura Jaime Silva
O senhor alguma vez se lembrou de ir conversar com o experiente António Campos a Oliveira do Hospital?

Nesta coisa da preservação das nossas sementes há outros «carolas», que tentam conservar e cultivar chícharos, grão-de-bico preto, feijão papo-de-rola...

E quanto à oferta e procura do mercado diz o senhor Miguel Fonseca do Olival/Figueiró dos Vinhos: «O cozinheiro Barroyer do Palace, queria que lhe arranjasse trinta quilos do feijão papo-de-rola de um momento para o outro. Não pode ser assim, são pequenos produtores...»

Estes «doidos em extinção» ainda conseguem editar um boletim chamado o Chícharo, que tem sítio e mail na NET, uma pequena publicação da Associação Colher para Semear—Rede Portuguesa de Variedades Tradicionais (RPTV). Curiosamente, o Banco Português de Germoplasma Vegetal (BPGV) não consta de qualquer organismo do Ministério da Agricultura e nem sequer tem qualquer portal oficial..

Senhor ministro Jaime Silva
«Quem controlar as sementes, controla o resto da cadeia alimentar».

Acompanhei pela Comunicação Social seu opíparo almoço biológico na Companhia das Lezírias. Tratou-se «de um doce pecado» escreveu Sócrates e de mais uma operação de propaganda com o anúncio de umas verbas de apoio à produção e mercantilização deste tipo de agricultura, digo eu. Nada tenho contra esta nova agricultura, mas resumindo o que salientou António Campos «a agricultura de futuro é esta, a dos alimentos funcionais (...) Os centros de investigação portuguesa têm estado à margem». Já não me lembro de quem destruiu as estações agronómicas regionais...

Senhor ministro da Agricultura Jaime Silva
Está o seu Ministério em remodelação estrutural e a criar uma nova lei orgânica. Fico a aguardar um capítulo sobre a preservação da biodiversidade agrícola em Portugal e a investigação biológica com a respectiva dotação de pessoal científico e administrativo.
Não se esqueça senhor ministro:«três feijões da serra da Peneda podem reduzir a arterioesclerose», referiu o investigador Agostinho de Carvalho à Pública. Não se esqueça também dos trinta quilos de feijão papo-de-rola pedidos pelo cozinheiro Barroyer do Palace...

Atentamente

José Raimundo Correia de Almeida


Rua Ary dos Santos, 2, R/C, B
2660-233 St.º Ant.º Cav.os
BI 312963 Lx
correia.raimundo@sapo.pt
www.oxexe.com

Sementes_maos.JPG

Publicado por Vitorino às dezembro 12, 2006 02:40 AM


Comentários

Comente




Recordar-me?