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17 de abril de 2007

Comunicado da Plataforma Transgénicos Fora

Empresas esconderam informação e Ministério deixou-se enganar
PLATAFORMA E AUTARQUIA EXIGEM ANULAÇÃO DE ENSAIOS DE TRANSGÉNICOS JÁ APROVADOS

O Instituto do Ambiente recebeu, através do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Rio Maior, Engº Carlos Nazaré, um documento de um munícipe que plantou milho nas proximidades do recém-aprovado campo para ensaios com transgénicos. Este documento mostra que a empresa Syngenta faltou à verdade com o Ministério do Ambiente e que este foi complacente com a posição da empresa, ao não verificar a veracidade dos documentos associados ao processo.

No passado dia 28 de Março o Ministério do Ambiente (MA) aprovou o pedido da empresa Syngenta para a realização de testes sobre milho transgénico no concelho de Rio Maior. MAS ESSA AUTORIZAçãO TEM DE SER IMEDIATAMENTE REVOGADA VISTO QUE O PRINCIPAL ARGUMENTO EM QUE SE SUSTENTA - A EXISTêNCIA DE UMA FAIXA DE SEGURANçA DE 400 METROS EM TORNO DO TERRENO PREVISTO POR FORMA A EVITAR A CONTAMINAçãO - ACABOU DE SE REVELAR INVáLIDO.*

Em Alcochete e em Salvaterra de Magos, outros dois concelhos visados no pedido, a autorização foi negada pois o MA considerou que nesses locais a distância mínima de segurança de 400 metros até aos restantes campos de milho não estava salvaguardada. No entanto, no caso de Rio Maior, a empresa Syngenta** apresentou duas declarações de vizinhos do terreno visado, dando assim a entender que os tais 400 metros exigidos de faixa de segurança estavam garantidos. Baseado nessa informação, o MA aprovou os ensaios.

Agora a verdade acabou de vir ao de cima: AS EMPRESAS ESCONDERAM O FACTO DE QUE HAVIA MAIS VIZINHOS NO PERíMETRO DA ZONA DE SEGURANçA, VIZINHOS ESSES QUE NãO SE COMPROMETERAM A PRESCINDIR DO CULTIVO DE MILHO E QUE NãO FORAM SEQUER AVISADOS OU CONTACTADOS. O MA já se encontra neste momento na posse da declaração de um desses vizinhos, que aliás tem milho doce semeado no seu terreno, situado a não mais de 150 metros da zona de ensaios.

milhogm.jpg

Para além da evidente má fé e deplorável falta de rigor técnico por parte das empresas em causa (algo que levanta sérias dúvidas sobre o seu comportamento e cuidado durante os ensaios, se eles avançassem), é de salientar a manifesta incapacidade, por parte do Ministério do Ambiente, de analisar com cuidado o processo sobre o qual emitiu decisão. Em vez de verificar activamente os dados apresentados pelas empresas, o Ministério limitou-se a acreditar, ingenuamente, no que leu.

Segundo o Eng. Gualter Baptista, da Plataforma Transgénicos Fora, "o Ministério do Ambiente revelou não possuir capacidade técnica e humana enquanto Autoridade Competente para os transgénicos. Ao aprovar ensaios experimentais às cegas, o próprio Governo sai descredibilizado, perante a sua total incapacidade de salvaguarda da saúde humana, do ambiente e da própria economia da região". O activista acrescenta que "NãO SE COMPREENDE COMO é QUE UM ORGANISMO PúBLICO ACEITA E APROVA, SEM VERIFICAçãO, OS DOCUMENTOS APRESENTADOS POR UMA EMPRESA QUE TEM UM INTERESSE ECONóMICO ASSOCIADO à APROVAçãO DO PROJECTO."

Na opinião de Gualter Baptista, "ao Ministério do Ambiente não resta outra alternativa senão REVOGAR IMEDIATAMENTE A SUA DECISãO DE APROVAçãO DOS ENSAIOS EXPERIMENTAIS e COLOCAR UMA MORATóRIA A QUAISQUER NOVOS ENSAIOS DURANTE UM PERíODO MíNIMO DE 3 ANOS. No interesse dos cidadãos e dos agricultores que colocou em risco, deverá também apresentar a sua justificação perante esta grave negligência."

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* Muitas outras razões haveria para chumbar os ensaios – a Plataforma Transgénicos Fora emitiu, durante a consulta pública, um parecer técnico fundamentado onde expõe numerosas falhas de segurança e questões de fundo que não estão devidamente salvaguardadas pelas empresas... parecer esse que o Ministério optou por ignorar. O documento está disponível em www.stopogm.net/?q=taxonomy/term/31/

** E também a empresa Pioneer, que pretende igualmente realizar testes com milho transgénico no mesmo terreno e ao longo dos mesmos três anos e sobre a qual o Ministério do Ambiente deverá em breve emitir decisão.

Para mais informações contactar INFO@STOPOGM.NET ou WWW.STOPOGM.NET, ou GUALTER BAPTISTA, 91 909 0807.

Publicado por Vitorino às abril 17, 2007 11:41 PM


Comentários

A possibilidade de actualmente contactar com agentes patogénicos infecciosos é maior, e a capacidade de propagação também aumentou imenso devido à globalização. Isto porque a expansão humana e animal aumentou e a invasão de ecossistemas destruiu equilíbrios, abrindo novas oportunidades de doenças. A desflorestação, as alterações na cadeia alimentar, a emissão gases, são problemas graves, que podem a médio prazo tornar esta planeta insustentável.
Infelizmente pessoas com capacidade de fazer opinião, e por isso com responsabilidade, encontram em cada acção de alerta, algo de subversivo, e transmitem quando escrevem, uma ideia redutora da realidade, e só faltou dizer que a Al Qaeda, estaria por detrás deste esporádico episódio.
O que se passou na realidade foi a destruição de 1 Hectare de milho transgénico, num cultivo de 51 Hectares, condenável? Decerto que sim, e convenhamos que seja apenas um caso isolado, mas para quem só descobriu terrorismo nesta acção… ela teve mais que isso… teve o mérito de levar ao conhecimento dos portugueses um problema que estava adormecido e sem discussão pública. Podiam estar com roupa um pouco suja, até podem não ter lavado a cara, mas tem as ideias limpas, conscientes e preocupadas, ao contrário de muitos colunistas que tem a cabeça muito suja.
É inegável que hoje sabemos mais sobre OGM que ontem e foi na esperança de ter contribuído para alertar, que aqueles jovens numa manifestação espontânea e sem lideres entraram na herdade.
Em muitos comentários que tenho lido sobre o assunto, certas analistas só descobriram vandalismo praticado por um bando de irresponsáveis, é tão pouca descoberta e para alguém que tem responsabilidade de fazedor de opinião, é mesmo muito pouco, lamento.
Para terminar apenas digo que quando alguém se lembrou de dar farinha de origem animal aos bovinos, os resultados foram…não preciso de dizer o que aconteceu, o povo deve ter lido as notícias e por isso sabe. Isto é que é terrorismo.
Já agora também quero informar, que os estudos científicos sobre os efeitos secundários dos transgénico e de onde a CEE autorizou o cultivo de OGM tiveram por base os próprios estudos feitos pelas multinacionais, ou seja Juiz em causa própria.
Com os melhores cumprimentos
A. Baptista
Almada

Publicado por: A.Baptista às agosto 31, 2007 12:23 AM

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