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O relator especial da ONU para o direito à alimentação, John Ziegler, propôs uma moratória de cinco anos para que não seja possível usar culturas destinadas à alimentação para o fabrico de agrocombustíveis, e para isso usou uma frase-choque: "É um crime contra a humanidade" usar produtos de terrenos destinados à produção de alimentos para os biocombustíveis.

Os agrocombustíveis estão a fazer com que aumente o preço de certos alimentos, algo que Ziegler considera problemático quando há 854 milhões de pessoas com fome no mundo e quando a cada dez segundos morre uma criança com menos de dez anos por fome ou doenças relacionadas com a subnutrição, cita a agência Reuters. Ziegler propôs então a moratória de cinco anos, explicando que este é o período de tempo que levará até se chegar a novas tecnologias que permitirão a produção de agrocumbustíveis através dos desperdícios agrícolas, como barba de milho ou folha de bananeira, e não dos alimentos.
"Há riscos sérios de criar uma luta entre alimentação e combustível", o que será dramático para os países mais pobres, disse Ziegler, citado pela AFP. O perito da ONU lançou este aviso após, o FMI (Fundo Monetário Internacional) ter alertado que o uso cada vez maior de cereais para produção de combustível pode ter implicações graves para os mais pobres.
A produção de bioetanol tem aumentado por ser uma alternativa mais amiga do ambiente e por reduzir a dependência dos países sem petróleo. Estados Unidos e Brasil são os grandes produtores, com os americanos a usarem milho, e os brasileiros a cana-de-açúcar. Nos EUA, muitos agricultores têm passado do cultivo de trigo e soja para milho para este ser usado na produção de combustível.
(Adaptado de M.J.G. in Publico, http://jornal.publico.clix.pt/)
Leia mais artigos sobre os agrocombustíveis em:
http://stopogm.net/?q=node/178
http://www.eco-gaia.net/forum-pt/index.php?board=130.0
Publicado por Vitorino às janeiro 4, 2008 01:09 PM