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Segundo a edição online do "Correio dos Açores" de 28 de Março de 2008 (artigo de João Paz “Cereais transgénicos dividem Governo e Lavoura”, em http://www.correiodosacores.net/view.php?id=6808), “A proibição, pela União Europeia, da importação de alguns cereais geneticamente manipulados, que estão a preços baixos no mercado internacional, gera desentendimento entre governo dos Açores e Associação Agrícola de São Miguel”.

(Pastagens na Ilha de S. Miguel, Açores)
Jorge Rita, presidente da Associação Agrícola de São Miguel, considera “uma hipocrisia que a União Europeia proíba a comercialização de alguns cereais geneticamente modificados que estão a preços competitivos no mercado internacional e, em simultâneo, permita a entrada no mercado europeu de carnes de bovino e aves dos Estados Unidos, Argentina e Brasil que tiveram na sua cadeia alimentar os alimentos geneticamente manipulados“, com o que concordamos inteiramente. Contudo, não podemos concordar com as conclusões a que chega Jorge Rita sobre as medidas a tomar para acabar com essa hipocrisia.
De facto, “importar cereais mais baratos, [geneticamente modificados] utilizados na cadeia alimentar dos Estados Unidos”, como defende Jorge Rita, parece-nos ser a opção por imitar os dominantes, a solução aparentemente mais fácil e imediata.

É verdade que “os aumentos de preços dos cereais a nível internacional trouxeram muitos constrangimentos quer à agricultura, quer à sociedade com o inevitável aumento dos custos de produção e subida dos preços dos produtos alimentares da alimentação”, mas optar pelos transgénicos não resolverá estes problemas e criará muitos outros. A solução passará, quanto a nós, por fortalecer a corrente de países e regiões (também em Portugal) que se tornam livres de transgénicos, e recusar a crescente utilização de cereais e outras plantas para produzir agrocombustíveis, à custa de enormes aumentos de preços e de consequências ambientais inaceitáveis.
Numa análise esclarecida e corajosa veículada pelo referido artigo do Correio dos Açores, Noé Rodrigues, Secretário Regional da Agricultura e Florestas, diz que “entre a opção de adoptar formas de pressão para obter autorização de importação de cereais geneticamente manipulados até agora proibidos e, por esta via, competir no mercado e a de manter incólume a imagem dos Açores enquanto Região com uma produção agrícola de qualidade e ambientalmente sustentável, o governo regional defende esta última forma de estar no mercado apesar dos inconvenientes em termos de custos e, consequentemente, de preços finais dos produtos."

(Selo da R.A. Açores)
Sabendo que a qualidade do alimento dos animais se reflectirá na qualidade da carne deles proveniente para consumo humano, “Noé Rodrigues reconhece que o governo opta pela via em que o alimento animal é mais caro, reduzindo, assim, margens de competitividade. Mas, diz, é uma opção clara pela qualidade, pela diferenciação, pelo equilíbrio ambiental e pela certificação do produto. Com isso afirma estamos a ganhar oportunidades no mercado. Espreitar outros vectores comerciais que não os da massificação e da economia de escala. Porque, aliás, não temos dimensão nenhuma para termos economia de escala, realça o governante. Nesta óptica, conclui, não faz muito sentido estarmos aqui a dar vivas aos organismos geneticamente modificados pensando que vamos ser os maiores na comercialização de produtos.” (sublinhados nossos)
Talvez a competição com futuro - diremos nós - tenha de ser feita com produtos ecologicamente “puros” (a qualidade que os consumidores procuram nos produtos açoreanos) e talvez as cooperativas tenham também esse serviço a prestar aos seus associados, em São Miguel e não só...
Publicado por Vitorino às abril 5, 2008 10:39 AM