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Na sequência da recente alegação do grupo Valouro – o maior produtor nacional de rações animais, que também produz óleo de soja geneticamente modificada para consumo humano – de que poderia dar-se uma eventual ruptura no fabrico dos seus produtos caso a União Europeia não aprovasse a importação de cereais feitos com as novas variedades de OGM, a Plataforma Transgénicos Fora já veio esclarecer que a importação de cereais geneticamente modificados, solicitada pela Valouro não resolve o problema da ruptura de stocks que se regista em todo o mundo.

De facto, a ligação entre a Valouro, os cereais transgénicos e os agrocombustíveis parece tornar-se cada vez mais evidente. Em 2007, a Valouro colocou em funcionamento uma unidade de produção de agrocombustíveis com capacidade de produção de 100 mil toneladas por ano (ver em http://www.biodieselbr.com/noticias/biodiesel/mercado-biocombustiveis-gera-330-milhoes-investimento-17-01-07.htm e em http://www.frenteoeste.com/modules.php?name=News&file=article&sid=3230). Agora, perante o aumento da procura global e a subida de preços de cereais, querem forçar as importações de novas variedades geneticamente modificadas.
A responsabilidade pela crescente procura de cereais para agrocombustíveis não é exclusivamente da iniciativa privada. Pelo contrário, tem sido fortemente apoiada pela meta comunitária para alcançar 10% de biocombustíveis em 2020 e por incentivos nacionais à produção destes cultivos e das suas unidades de produção.

«Reconheço que existem problemas ao nível mundial com a subida de preço dos cereais e que começa a haver competição entre encher o prato ou o depósito [com os cereais agora usados para produzir agrocombustíveis]. Mas esses problemas de fornecimento também existem nos países onde são autorizados todos os OGM (organismos geneticamente modificados)», afirmou à Agência Lusa a Professora Margarida Silva, coordenadora da Plataforma Transgénicos Fora. Mas «o problema da ruptura dos stocks tem a ver com o desvio dos cereais para os biocombustíveis, nada tem a ver com os OGM. A autorização de novas variedades de OGM em nada resolve o problema», adiantou.
Publicado por Vitorino às abril 4, 2008 06:20 PM