*..Página Principal..*..Quem Somos..*..Localização..*..Cooperação..*

« | Entrada | Dependência alimentar »

04 de julho de 2008

Os GRANDES pequenos agricultores

Por palavras poderosamente simples, o texto seguinte fala-nos da importância estratégica das pequenas hortas e explorações agrícolas. Leia que vai gostar.

«(...) Por uma questão de comodidade ou falta de tempo cada vez mais os consumidores procuram as grandes unidades comerciais. No entanto, quando calcorreamos os corredores das grandes superfícies onde maioritariamente nos abastecemos de víveres frescos, muitos de nós desconhecemos que por vezes não muito distante das nossas residências, existem outras possibilidades para a sua obtenção, onde para além de acesso a produtos de qualidade ímpar, o nosso contributo pode ser imensamente ampliado.

IMG_9062.jpg

O papel que desempenhamos enquanto consumidores e quando adquirimos os bens de consumo assume um papel importantíssimo, se equacionarmos que ao adquirir produtos em lojas de comércio tradicional, em mercados municipais (praças), em mercados de produtores locais ou nas suas quintas, estamos a “subsidiar” o direito à existência de todas estas vertentes: desfrutamos de produtos de cariz artesanal (com cunho pessoal do produtor), contribuímos para minorar em muito o gasto energético associado ao processo de conservação e transporte de alimentos importados, revitalizamos a economia local e ajudamos a criar novas oportunidades de emprego, associamo-nos a iniciativas que visam a permanência das pessoas numa actividade profissional que é imprescindível a todos nós enquanto seres humanos. São os agricultores que produzem o que comemos, onde muitas vezes o escoamento das suas produções é o único estímulo e subsídio [rendimento] de que necessitam para continuar a pôr em prática os seus ancestrais conhecimentos ou legados que, de outra forma, ficarão votados ao abandono e ao esquecimento.

A sabedoria dos antigos provérbios chineses ensina-nos que não devemos colocar todos os ovos no mesmo cesto, sob pena deste se virar e ficarmos desgovernados.

Imagine-se as consequências no futuro de continuarmos a centralizar e aglutinar no sector agrícola, a exemplo do que há muito se faz na indústria. Sugiro um pequeno exercício de reflexão: suponha-se que os milhares de produtores de pequena escala, que ainda subsistem numa região, abastecendo centenas de pequenas unidades de venda, são entretanto substituídos por algumas dezenas de produtores agro-industriais que abastecem algumas dezenas de grandes unidades comerciais. Considere-se que a conjuntura económica a que essa região está sujeita se torna desfavorável, levando ao colapso de toda a estrutura produtiva e comercial entretanto montada. Os consumidores perdem poder de compra, os produtores abrem falência porque o preço de custo das suas produções não possibilita o cumprimento dos encargos fiscais e bancários para fazer frente aos investimentos dos seus megaempreendimentos, verificando-se o abandono da actividade. As estruturas comerciais mudam para regiões em que a conjuntura económica seja mais favorável (condições sócio-económicas mais vantajosas). Imagine-se a dimensão da catástrofe.

post_i_consciente.jpg

As pequenas explorações familiares não se tranferem de região, antes consolidam a sua existência com o incremento da sua actividade, que se quer sustentável e, como tal, pouco dependente das flutuações das conjunturas económicas globais. A bem da sobrevivência económica do nosso país e da sua sustentabilidade, é mais do que tempo de enquadrar condignamente as pequenas produções, criando um estatuto de pequeno produtor adequado às várias realidades, que reconheça o direito ao exercício da multiplicidade de actividades que esta realidade encerra, pois o que está em vigor não se aplica a este contexto. Enquanto continuarmos a ignorar o direito à sua exixtência, todos perdemos a oportunidade de apreciar a beleza de ser pequeno»


O texto que acaba de ler é da autoria de José Mariano Fonseca e constitui a parte final do seu artigo “Small is beautiful (o que é pequeno é belo)” publicado no nº 9 – Primavera 2008 - de O Gorgulho, boletim informativo da Associação Colher para Semear; sugerimos-lhe que o (re)leia pensando na agricultura biológica, que é a praticada pelo autor, pois a convencional tem os mesmos problemas nas pequenas explorações agrícolas e nas grandes (ou até mais nas pequenas!...).

Contactos para O Gorgulho ou para a Colher para Semear – Rede Portuguesa de Variedades Tradicionais: Quinta do Olival, Aguda, 3260 FIGUEIRÓ DOS VINHOS, Tels. 236622218 / 914909334, e-mail colherparasemear@gmail.com

Publicado por Vitorino às julho 4, 2008 01:53 AM


Comentários

Comente




Recordar-me?