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O Banco Português de Germoplasma Vegetal (BPGV) foi criado em Braga em 1977.
Nos últimos anos, o BPGV tem vindo a sofrer com as indefinições burocráticas, com a venda de instalações e, mais recentemente, além do espectro de nova venda de instalações, também com uma drástica e aparentemente inponderada redução de pessoal. A ponto de estar em perigo de subsistência o seu importante contributo para a preservação da diversidade genética do germoplasma nacional. Ver, a propósito, o artigo de Ricardo Rio “Quanto vale um Banco de Germoplasma?”, em http://econominho.blogspot.com/2008/07/quanto-vale-um-banco-de-germoplasma.html.

O que é o germoplasma?
O germoplasma é a parte das plantas, dos animais e dos microorganismos existentes no planeta que contém a informação sobre cada espécie e a aptidão para a sua reprudução e para o cruzamento das variedades de cada espécie. Nas plantas, são geralmente as sementes.
Portanto, o germoplasma tem sido e é ainda hoje a base natural da diversidade biológica e, por isso, tem sido e é ainda maioritariamente a base natural para a agricultura e para a diversificação e melhoria da alimentação humana.
Como é no germoplasma que se encontra a base para a diversidade genética, quanto menor for a diversidade genética disponível, menor será a variedade de organismos vivos na Terra e a capacidade de existência dos seres vivos e da sua adaptação à diversidade dos ecosistemas existentes e ás suas alterações (climáticas, por exemplo).

O que são os bancos de germoplasma?
Os bancos de germoplasma resultam do desenvolvimento dos trabalhos pioneiros de Nicolai Vavilov (1887-1943), botânico e geneticista soviético que teorizou sobre a origem das plantas cultivadas e recolheu várias sementes em todo o mundo e com elas reuniu em Leninegrado a primeira colecção mundial de sementes.
No contexto actual do desenvolvimento das sociedades industriais, com o aquecimento global do Planeta e o espectro de catástrofes ambientais, a que se associa o espectro de crises energéticas e alimentares, os bancos de germoplasma constituem um importante local de concentração de recursos alimentares (e não só), a par das importantes práticas milenares de conservação e de troca de sementes pelos agricultores. Para este último caso e para Portugal, a Associação Colher para Semear tem-se afirmado como um complemento (ou uma alternativa?) tradicional e democrático(a) aos bancos de germoplasma. Para mais informações, pode passar por http://biorege.weblog.com.pt/arquivo/noticias/index.html – artigos “Sementes: precisam-se receptores” ou “Ao Encontro da Semente 2007 – Odemira” – , ou por http://www.nelsonavelar.com/permacultura/noticias_permanentes/ColherSemear_ficha.pdf .
Contudo, o aumento das disparidades na distribuição dos recursos materiais a nível mundial, à custa do empobrecimento da esmagadora maioria da população, e a enorme concentração de poderes nas corporações multinacionais sem “rosto” nem controlo, tem originado gigantescas pressões sobre os estados e sobre os habitantes do Planeta para que aceitem a apropriação privada do legado genético da Humanidade.
Assim nasce a “guerra” pelas patentes das plantas, animais e microorganismos, e a pressão para legalizar a sua (re)produção comercial, sem as necessárias e devidas precauções (como é o caso com os OGMs, ou plantas geneticamente modificadas, referidos em muitos artigos deste blogue). E é esta também a origem da “guerra” (será que tem aspas?) dos poderosos deste mundo para se apropriarem e colocarem ao seu dispor (e a seu proveito particular) os bancos de germoplasma.

Foto do interior de câmara frigorífica de banco de germoplasma.
Não há autonomia alimentar sem controlo democrático sobre o germoplasma!
A nível nacional, em todo o mundo, depende dos agricultores – e das suas associações, como comprova a “Colher para Semear” - e dos seus bancos de germoplasma públicos a possibilidade de assegurar o controlo democrático sobre a produção e reprodução das espécies autóctones (as melhor adaptadas às mudanças ambientais locais) e de contribuir para a defesa da diversidade dos ecosistemas. Por isso são graves as ameaças que pairam actualmente sobre o Banco Português de Germoplasma Vegetal.
A realidade actual é de tal forma inacreditável para quem a conhece e para quem tem dedicado a sua vida a este “Banco de vida”, que parece ultrapassar qualquer simples leitura de hipocrisia e corrupção políticas. Parece que só uma profunda e impenetrável incompetência, a múltiplos níveis de poder, poderá explicar este caso.
Neste contexto, tem todo o interesse a iniciativa da bancada do PCP na Assembleia da República, que apresentou recentemente ao Ministério da Ciência um conjunto de pedidos de informação sobre a situação actual e as perspectivas de futuro do BPGV (ver o documento com essas perguntas na ligação seguinte Download file).
É urgente a identificação das causas e dos interesses responsáveis pela degradação existente, sob pena de se consumar um perigoso descalabro no património genético do país.
Publicado por Vitorino às julho 29, 2008 12:57 PM