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29 de julho de 2008

Quem disse que os OGM têm vantagens económicas?

A existirem vantagens económicas na utilização de OGM (o que é bem possível se só tivermos em conta um período de 1 ou 2 anos) deveríamos questionar o valor dessas vantagens. Tal como fazemos quando vamos às compras e escolhemos pagar mais caro mas comprar uma coisa que vai durar mais, por exemplo.

Porque é provável que nos apareçam com uma tabela “oficial” à frente onde as contas que nos mostram parecem provar que é mais barato usar milho geneticamente modificado. Só que nessa tabela não estarão incluídos os valores acrescidos dos agroquímicos gastos, nem valores que são dificilmente quantificáveis em termos económicos: a poluição das terras e das águas, a alteração do ecosistema, a perda de variedade genética nas culturas e de variedade de alimentos disponíveis para o ser humano, a desintegração de comunidades caracterizadas por determinado tipo de agricultura minifundiária com determinado tipo de plantas endémicas, as consequências a prazo para a saúde humana e animal, etc. E estes valores... são impagáveis!

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Claro que as empresas que controlam as sementes – a Monsanto, a Dupont-Pioneer e a Syngenta são as três maiores - ganham com os OGM. Aliás, SÃO ESSAS MULTINACIONAIS AS ÚNICAS QUE SÓ TÊM A GANHAR, não só porque são também grandes produtoras dos agroquímicos a usar com as suas sementes mas, sobretudo porque todos os transgénicos são patenteados e, por isso, a contaminação converte-se num grande negócio: a contaminação é um delito imputável às vítimas e qualquer camponês ou agricultor que seja contaminado sem seu conhecimento ou que use as sementes transgénicas já compradas uma vez e que as volte a plantar (ou seja, exerça o “direito dos agricultores”) usa uma patente sem permissão e comete um delito pelo qual pode ser (e muitos já foram) processado judicialmente (Ver, por exemplo, o artigo de Sílvia Ribeiro em http://infoalternativa.org/autores/sribeiro/sribeiro024.htm).

Claro que as empresas até podem “investir” em “autoridades” que se dispõem a ganhar com o “fechar os olhos” ao princípio da precaução, pelo que OS CORRUPTOS E OPORTUNISTAS TAMBÉM PODEM GANHAR, em particular se tiverem uma débil consciência moral.

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Claro que alguns dos produtores honestos mas mal informados que cedem aos “cantos de sereia” também podem ter lucros nos primeiros anos. Mas …e depois? …e os outros? …e as outras consequências, para todos, dessa decisão de plantar OGMs a céu aberto sem consenso científico: quem paga esses prejuízos económicos, para a saúde de todos e para o ambiente? Onde estarão as multinacionais dos OGM quando se fizer esse balanço final?

Também por termos essa visão mais alargada dos benefícios económicos, defendemos a agricultura biológica e escolhemos eventualmente pagar mais caro alguns alimentos, sabendo que evitando os desperdícios, acabamos por poupar na alimentação e comer produtos saudáveis, para nós, para os restantes seres humanos e para o ambiente.

Publicado por Vitorino às julho 29, 2008 12:19 PM


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