*..Página Principal..*..Quem Somos..*..Localização..*..Cooperação..*
A globalização a que temos assistido durante as últimas décadas conduziu a uma uniformização de produtos e serviços em todo o mundo. De facto, a cultura, as tradições e os saberes ancestrais ocupam hoje um lugar cada vez mais secundário nas nossas vidas.
No mundo do vinho o panorama não é diferente. Surgiram novos países produtores sem tradições ou conhecimentos ancestrais, que se impuseram no mercado munidos de brilhantes estratégicas de marketing, com produtos feitos à medida dos novos consumidores.

Felizmente existem regiões que souberam preservar intactas as práticas de produção das uvas e do vinho. Os produtores do Concelho de Ourém, nas suas pequenas adegas artesanais, ainda produzem o vinho segundo métodos ancestrais e, embora tenham passado mais de 800 anos, a tradição mantém-se.
O vinho Medieval de Ourém tem a sua origem na fundação de Portugal, quando D. Afonso Henriques celebrou com os Monges de Cister, também conhecidos pelos monges agricultores, vários acordos, cedendo-lhes terras para que fossem cultivadas. Pela sua influência em toda a região, estes monges brancos de Cister terão transmitido aos Oureenses o seu método de produção de vinho.
As vinhas, com uma área média de 2500 m2, normalmente não aramadas, têm compassos de plantação apertados com encepamentos de castas brancas e tintas na proporção necessária à produção do vinho. Possuem uma densidade de plantação superior a 4000 cepas por hectare, podendo chegar às 10.000, sendo que esta não visa uma maior produção, mas sim uma melhor qualidade das uvas produzidas.
Nas vinhas mais antigas é bastante frequente encontrar oliveiras e outras árvores de fruto como macieiras, pereiras e pessegueiros, dispersas no meio das cepas, ou em bordadura. As cepas são conduzidas em taça, com poda a talão e menos frequentemente à vara. São em tudo muito semelhantes às vinhas da Idade Média.

Nas adegas de Ourém, simples, frescas, escuras, pouco húmidas e que muitas vezes ocupam o rés-do-chão da habitação do viticultor, são utilizadas, exclusivamente, uvas das castas Fernão Pires para mosto branco e Trincadeira para mosto tinto, sendo a vindima feita, obrigatoriamente, à mão e de modo a que as uvas brancas e tintas sejam transportadas em recipientes diferentes até à adega.
As uvas brancas são prensadas em lagares e os mostos obtidos são envasilhados logo após o esmagamento, em vasilhas de madeira de modo a não exceder os 80% da sua capacidade total.
Posteriormente, as uvas tintas são desengaçadas com as cirandas e fazem a fermentação com curtimenta em lagares ou dornas, durante 4 a 10 dias, sendo efectuado o recalque a pé ou com um rodo de madeira, no mínimo duas vezes por dia, de modo a obter mosto tinto com os parâmetros de qualidade adequados. O mosto tinto (20%) não é prensado, sendo envasilhado directamente na vasilha que já contém o mosto branco (80% da vasilha), de modo a completar o seu enchimento.
Sendo feito maioritariamente de uvas brancas muito maduras e imitando a cor, ainda que ligeira, do vinho vermelho, este vinho é “tinto”, “guloso” e “forte”. Tem aromas de vinho branco, que variam com o estado de maturação das uvas, bem “casados” com aromas de tinto, normalmente amora, framboesa e morango. Este método permite-nos obter vinhos macios no beber, untuosos e que preenchem a boca.
Este vinho, protegido pela portaria 167/2005, acompanha não só a rica gastronomia da região, mas também muitos pratos típicos portugueses. É excelente para acompanhar pratos pouco condimentados, saladas e pastas. Combina bem com pratos ricos em azeite como o bacalhau com chícharos.

A chegada do vinho medieval aos nossos dias só pode ser explicada pelas suas excepcionais qualidades e pela perfeita adaptação do método às condições edafo-climáticas de Ourém.
Mais uma vez este ano, os sócios e amigos da Biorege irão contribuir para a vindima de uma das vinhas de Ourém que há largos anos fazem em modo de produção biológico este medieval tradicional. Pode vir provar o resultado à loja da Biorege, em Almada (Portugal).
Publicado por Vitorino às setembro 7, 2008 12:51 AM