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Em 2007, a Rede de Sementes Camponesas (RSP - Réseau Sementes Paysannes) e a Bio de Aquitânia (Bio d'Aquitaine) levaram a cabo uma experiência de campo em parceria com o laboratório Eco-Innov do INRA (Institut National de la Recherche Agronomique, ou Instituto Nacional de Pesquisa Agronómica, instituto científico público em França) para estudar os fluxos de pólen entre campos de milhos híbridos amarelos e campos de milhos brancos biológicos. Os grãos amarelos presentes no milho branco aquando da colheita são indício de uma polinização pelos milhos amarelos. As percentagens de grãos amarelos observadas são da ordem dos 0,75% a 50 metros e dos 0,1% a 175 metros. Estas percentagens podem ser extrapoladas para eventuais contaminações provenientes de milhos portadores de dois OGM. Com OGM simples, como o MON 810, seria necessário dividi-las por dois.
Estes resultados, ainda preliminares, confirmam os receios já existentes quanto à continuidade das agriculturas tradicional ou de qualidade, como a agricultura biológica, no caso de contaminação por culturas de OGM, pelo que devem ser confirmados em mais anos e em diversas condições ambientais.
Estes resultados devem ser, desde já, tomados em consideração nos trabalhos desenvolvidos pelo governo [francês] para determinar as distâncias entre culturas, tendo em vista evitar a presença acidental de OGM em outras produções.

Para adaptar as variedades que cultivam ao seu modo de produção sem adubos químicos nem pesticidas de síntese, numerosos agricultores biológicos semeiam todos os anos parte da sua colheita do ano anterior, o que é impossível com as sementes de milho híbrido comercializadas. Por isso, eles seleccionam variedades locais de milho e aproveitam a sua colheita para as sementeiras do ano seguinte. Em caso de contaminação fraca por OGM, essa colheita não perderá a certificação nos termos do novo regulamento, que tolera um pouco de OGM nos produtos bio. Mas se os agricultores utilizarem essa colheita contaminada como semente, essa primeira contaminação irá juntar-se às contaminações dos anos seguintes tornando a sua produção invendável como biológica, a prazo, devido à presença dos OGM, condenando assim também ao desaparecimento as variedades locais por eles seleccionadas.

Parece difícil determinar com segurança as distâncias de segurança das culturas não OGM sem que se verifique previamente a evolução deste tipo de contaminações no decurso de vários anos. É também indispensável verificar-se o impacto que pode ter aquando da presença de apicultores profissionais importantes na proximidade imediata dos campos de milho. Devem ser disponibilizados suficientes meios financeiros para a prossecução destas experiências: bastarão alguns milésimos dos financiamentos que são concedidos actualmente para as pesquisas em biotecnologia.
Qualquer contaminação resultante de distâncias insuficientes, fixadas arbitrariamente na falta destes resultados da experimentação, não teria nada de acidental e colocaria problemas insolúveis de responsabilidade.
Contactos:
Patrice Gaudin, para a Bio d'Aquitaine (http://www.bio-aquitaine.com/): (França) 06 86 38 00 39
Guy Kastler, para a Réseau dês Sémences Paysannes (http://www.semencespaysannes.org/): (França) 06 03 94 57 21
Original (em francês, in http://www.semencespaysannes.org/ogm_coexisten_quand_recolte_est_aussi_semence_115-actu_57.php (tradução e adaptação nossa).
Publicado por Vitorino às novembro 18, 2008 03:30 PM