Movimento Cooperativo em Portugal
Em Portugal, o movimento cooperativo de consumo teve início no 3º quartel do século XIX.
As primeiras cooperativas surgiram nos bairros populares de Lisboa e Porto com a característica de "associação de classe". Em 1871 foi constituída a "Sociedade Cooperativa e Caixa Económica do Porto", sendo a primeira cooperativa com actividade predominantemente de consumo, embora nos seus estatutos estivessem incluídos outros objectivos. Em 1876 nasce a 1ª cooperativa de consumo, localizada em Alfama, a "Caixa Económica Operária", constituída por operários tabaqueiros.Desde a criação da 1ª cooperativa até ao final do século foram criadas 11 cooperativas, seguidas de mais 3 até a implantação da República em 1910.
Durante a 1ª República podemos constatar a existência de uma certa dinâmica no movimento cooperativo de consumo. Seguiu-se um período de estagnação, causada pela instauração da ditadura: no período que decorreu entre 1927 e 1946 apenas foram constituídas 13 cooperativas.
No decorrer do período entre 1947 e 1973 assiste-se novamente ao ressurgir da dinâmica do movimento cooperativo. Este facto deveu-se não só a movimentações sociais decorrentes da derrota da ideologia nazista, como também ao surto de desenvolvimento económico verificado no pós-guerra.
É a partir de 1951, com a criação do "Boletim Cooperativista", sob a inspiração de António Sérgio e graças ao grande impulso dado por este pensador português, que o movimento cooperativo se renova. As cooperativas de Consumo existentes criaram, em 1955, a 1ª união cooperativa, a UNICOOPE, que assumiu um importante papel na dinamização deste ramo e representou a 1ª tentativa de integração económica. Todavia, este projecto faliu após a Revolução de Abril de 1974 devido à crise em que então se encontrava.
Com o 25 de Abril dá-se um acréscimo significativo do número de cooperativas. Só entre 1974 e 1980 são criadas 330 novas cooperativas de consumo. A partir do início dos anos 80 dá-se um abrandamento no ritmo de criação de novas cooperativas, tendo-se verificado um decréscimo do seu número nos anos 90, como consequência do encerramento de muitas e da política de fusões então iniciada.
As Cooperativas de Consumo Portuguesas têm feito nos últimos anos um grande esforço de modernização e desenvolvimento, assente nos valores e princípios cooperativos, nomeadamente na intercooperação, e assumindo uma postura discreta, diferenciada, mas integrada nas comunidades. Enfrentando uma forte concorrência com uma economia globalizada e com tecnologias de informação cada vez mais sofisticadas, as Cooperativas de Consumo portuguesas têm procurado dar um contributo para o processo de modernização e desenvolvimento do país.
(Texto baseado em material informativo elaborado pela FENACOOP e pela COOPLISBOA)
outubro 2009
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